quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Livro: Religião para Ateus

'Religião para Ateus' parte da premissa de que, com ou sem fé, é possível encontrar aspectos úteis, interessantes e consoladores nas religiões. Examina as possibilidades de transferir algumas dessas ideias e práticas para a vida secular. Nesse livro, Alain de Botton defende que a sociedade tem muito a aprender com as religiões ao tratar de questões como vida em comunidade, moralidade, educação e arte.
Esta obra aborda um aspecto bastante curioso e muito pouco percebido em relação a religião, ou seja, demonstra como a igreja - principalmente a católica - conseguiu exercer um grandioso trabalho de marketing na medida em que transformou coisas simples e até certo ponto duvidosas, pois não há confirmação empírica, em dogmas inquestionáveis.
O autor faz um paralelo da religião como o mundo secular e nessa comparação demostra que se as empresas se utilizassem de sua marca, assim como a igreja, para valorizar e diversificar produtos, provavelmente elas seriam muito maiores do que são. Por exemplo, se a BMW adotasse esta estratégia hoje poderia ser mundialmente reconhecida não exclusivamente pela fabricação de automóveis de luxo mas poderíamos ter ternos, gravatas, camisas e outros produtos com seu nome, o que fatalmente aumentaria sua receita, pois atingiria não somente o consumidor automotivo mas o público em geral, que partiria do princípio de que seus produtos fariam jus a sua grandiosidade.
Alain de Botton parte sempre do enfoque de que temos muito a extrair das religiões, menos em relação aos aspectos que envolvem crença e devoção e mais sobre a construção de valores morais, culturais e afetivos, o que, segundo sua perspectiva, produziria um arranjo melhor da vida em sociedade.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Filme: Planeta dos Macacos - A Origem (2011 - EUA)

Planeta dos Macacos - A Origem - CartazSan Francisco. Will Rodman (James Franco) é um cientista que trabalha em um laboratório onde são realizadas experiências com macacos. Ele está interessado em descobrir novos medicamentos para a cura do mal de Alzheimer, já que seu pai, Charles (John Lithgow), sofre da doença. Após um dos macacos escapar e provocar vários estragos, sua pesquisa é cancelada. Will não desiste e leva para casa algumas amostras do medicamento, aplicando-as no próprio pai, e também um filhote de macaco de uma das cobaias do laboratório. Logo Charles não apenas se recupera como tem a memória melhorada, graças ao medicamento. Já o filhote, que recebe o nome de César, demonstra ter inteligência fora do comum, já que recebeu geneticamente os medicamentos aplicados na mãe. O trio leva uma vida tranquila, até que, anos mais tarde, o remédio deixa de funcionar em Charles que volta a perder a noção das coisas e, em uma tentativa de defendê-lo, César (o macaco) ataca um vizinho, sendo então recolhido para um criadouro, onde passa a ter contato com outros símios.
O filme é bastante interessante do ponto de vista científico, pois consegue misturar ficção e realismo numa medida em que nos possibilita vislumbrar o que na verdade já tomamos conhecimento a partir de outras coisas, ou seja, o que se buscava com as experiências feitas naqueles macacos era sim, além e muito além da descoberta de um novo medicamento, o lucro financeiro.
O desejo de ganhar (dinheiro)  acaba levando o homem a um estado de insensatez que pode interferir nos desígnios da humanidade. A "droga" que estava sendo produzida não teve sua eficácia testada com rigor nos seres humanos, e ao invés de ajudar no processo de cura, acabava matando-os. Em contrapartida ela desenvolveu uma capacidade cognitiva nos macacos muito além do normal, o que os tornou mais inteligentes que o homem.
Sugiro para as gerações mais novas que vejam o clássico lançado em 1968 que retrata um universo dominado pelos macacos no ano de 3978. ".....A Origem"  nada mais é do que a explicação do como e porque se deu esse domínio.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Opinião: O Haiti não é aqui!

Nada tenho de contra a dizer do povo haitiano. Penso até que pelo estado de miséria e sofridão em que vivem seus habitantes, existe uma alegria até certo ponto incompreensível estampada naqueles rostos sofridos, naqueles corpos desnutridos e naqueles dentes destratados.
Certamente não foi por escolha própria viverem e estarem desse jeito. Ex colônia francesa, apesar de ter sido o primeiro país das Américas, depois dos Estados Unidos, a declarar sua independência, sua autonomia de fato nunca aconteceu, pois continua sendo um dos países mais pobres do mundo.
Não bastassem as mazelas sociais o país ainda sofre com o desprestígio da natureza. Não há muito tempo, em 13 de janeiro de 2010, observamos um gigantesco terremoto em seu território, causado pelo movimento de placas tectônicas, de forma que seus encontros, provocaram um abalo de grande intensidade, sendo comprado por alguns especialistas ao impacto de 30 bombas nucleares.
Muitas pessoas perderam seus lares e ficaram feridas, mas infelizmente muitos outros não tiveram a mesma sorte, pagando com suas próprias vidas por tal acontecimento.
A ONU (organização das Nações Unidas) através de ajudas de muitos paises solidários - o Brasil lidera a Força de Paz - tenta restabelecer (ou implantar) a ordem no país, procurando conter a situação, onde pessoas nas ruas lutam por alimentos e lugares para que possam suprir a perda de seus lares.

No entanto, não podemos confundir bife de caçarolinha com rifle de caçar rolinha. A invasão haitiana que está acontecendo no Brasil, principalmente pelo município de Brasileia no Estado do Acre, ao meu ver é inaceitável. Entendo que qualquer pessoa tem o direito de buscar o melhor para si, seja onde for, mas tudo tem limites! Na verdade minha crítica é mais contra o que está fazendo, ou melhor, o que não deveria estar fazendo, o governo brasileiro.
Por mais que tenhamos conquistado o título de "sexta economia do planeta", isso de forma alguma significa dizer que deixamos de ser um país pobre. Ainda temos um nível de educação sofrível, um sistema de saúde completamente ineficiente, figuramos entre as nações mais corruptas do mundo onde a justiça só existe para uma minoria privilegiada, falta saneamento básico, infra-estrutura e outras coisas elementares à uma vida digna para nossa população.
Não sou a favor de se dar um tratamento repressivo aos haitianos que estão entrando ilegalmente no país, mas também sou contra ao governo distribuir indiscriminadamente "vistos de permanência com caráter humanitário". Ora, isso pode abrir um precedente com consequências desastrosas a médio prazo. Nossa relação com a pobreza já é grande o suficiente se considerarmos somente as condições de vida da maioria dos brasileiros. Se queremos ajudá-los, assim faremos, mas de modo a não piorar o que já é muito ruim. Se a coisa continuar no ritmo que se encontra, daqui a bem pouco tempo a população invasora será maior que os habitantes de Brasileia, isso sem considerar o fato de que pessoas de outros países com um nível de miséria semelhante venham a adotar a mesma prática, por achar que o Brasil é o novo eldorado do mundo.
Nós brasileiros somos receptivos por natureza, não nos negaremos a ajudar a quem tem menos, mas para que a situação não fuja do controle há de se estabelecer urgentemente uma postura ordeira. Cabe ao Governo Federal tomar medidas severas para conter essa invasão em massa, pois não podemos correr o risco de termos um Haiti a mais, os nossos já nos bastam.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Livro: Jesus Viveu na Índia

Mesmo para quem, assim como eu, acredita que contra a fé não há argumentos, vale a pena se debruçar sobre essa polêmica leitura. Ao contrário do que o título nos sugere, o livro tem uma abordagem muito mais científica do que religiosa, uma vez que trata dos fatos envolvendo a misteriosa vida de Cristo de uma perspectiva analítica.
Discorre, por exemplo, sobre a infância e a juventude de Jesus (período não relatado pela Bíblia), da sua vida enquanto pessoa comum, dos seus aprendizados budistas, do místico Santo Sudário como relíquia sagrada preconizada pela Igreja Católica e do fato da ressurreição.
O interessante é que Holger Kersten, um teólogo alemão, nos apresenta uma gama de contradições da "história oficial" não a partir do seu pensamento, mas principalmente pelo resultado que obteve com suas pesquisas.
Quando li o livro, parecia que estava vendo um bom filme, tal a concatenação e riqueza de detalhes apresentados.
Não cabe-me aqui opinar se este trabalho é ou não definitivo para o entendimento de um assunto tão complexo,  mas,  sem sombra de dúvidas é um dos mais coerentes.
Para quem tem sede de conhecimento, independentemente das convicções religiosas, considero a sua leitura simplesmente indispensável, pois, certamente, terá a oportunidade de se deparar com uma versão, sobre um assunto extremamente delicado, que até então não conseguiu, a meu ver, ser superada por nenhuma outra.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Crônica: Gente Esquisita

De repente a gente se pega pensando em coisas que não fazem nenhum sentido. O ser humano é assim! As vezes pensa demais naquilo que não vai lhe levar a lugar algum e, não raramente, nada pensa no que realmente importa.
Constantemente deparo-me com certas divagações esquisitas que depois eu mesmo me pergunto: Por que pensei nisso? A resposta é simples, não sei!
Somos os únicos animais racionais, pelo menos até agora,  da face da terra. No entanto, estamos longe de ser os mais objetivos. A nossa racionalidade nem sempre significa razão, arrisco até a dizer que quem é racional demais acaba se tornando idiota.
É enfadonho, por exemplo, quando você pergunta a uma pessoa para que serve uma "aspirina" e essa pessoa responde como se estivesse lendo a bula. Te explica desde a composição química ao mais improvável efeito colateral, quando na verdade o que se objetivava era apenas saber se o bendito remédio aliviaria a dor de cabeça que te aflige.
Muitas pessoas perdem oportunidades nas mais diversas situações porque não sabem maximizar seu tempo, inclusive quando se trata de expor  idéias. Não pretendo dizer que devamos economizar nas palavras, mas sim, termos mais objetividade e clareza para transmitir de maneira eficiente o que é realmente necessário.
Costumo dizer que o macaco quando está com fome, sobe na bananeira, retira a banana e come. Já o homem até para se alimentar complica, tem que cozinhar, assar, fritar, gratinar e outras coisas mais.
Como  disse no início, as vezes pensamos coisas esquisitas! Pois é, não sei porque, mas é exatamente o que me ocorreu quando escrevi esta crônica, meio desconexo, meio sem percepção. Mas tudo bem, nem tudo obrigatoriamente deve ter um sentido definido. Já imaginaram se tudo fosse lógico? Que chato!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Opinião: Heavy (Metal) Nacional

Quem pensa que o rock pesado nacional é restrito a Sepultura e Angra, engana-se!
Existem bandas excelentes que por motivos diversos são restringidas a tocar em pequenos Pubs, os quais não possuem um trabalho de divulgação que lhes dê visibilidade.

As que tem mais sorte (e cacife), vão para o exterior e, não raramente, se dão bem!
Sugiro que os amantes do Heavy (em suas mais variadas derivações) dois dias de hoje, pois a galera do passado e que já pulou os 40, certamente sabe do que estou falando, procure conhecer o trabalho desses ícones que continuam na estrada.

Os caras se assemelham ao vinho. Quanto mais o tempo passa, melhores ficam.
Certamente quem ouvir vai gostar e perceber que, apesar de não aparecer, o Metal nacional continua vivo.
Dr.Sin"Dorsal Atlântica", "Azul Limão", "Made in Brazil" e "Dr Sin", são apenas alguns exemplos! Tem muito mais coisa boa  que, certamente, ao longo do tempo mencionarei.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Crônica: Salve a Malandragem!

Semana passada revi o filme "Mada Satã" (em sua 2ª versão), um dos primeiros e melhores trabalhos do Lázaro Ramos no cinema.
Não sei bem, mas já é a terceira ou quarta vez que o assisto desde a sua estréia em 2002.
O curioso é que cada vez que vejo me bate uma nostalgia exacerbada. Por mais inventivo que pareça, consigo identificar cada local daquele onde as cenas foram gravadas e estranhamente, me sinto como se fizesse parte daquela realidade.
Minha mulher vive dizendo que se eu tivesse nascido 20 anos antes, certamente eu seria  "malandro", pois boêmio já sou, apesar de ultimamente ter exercido pouco esse lado, e gosto de exaltar a malandragem.
Entretanto, quando me refiro ao malandro não estou discorrendo sobre o que a gente vê hoje por aí.
O verdadeiro malandro, e que eu gostaria de ser, é aquele tipo que chega bem em qualquer situação, anda alinhado, perfumado, exímio dançarino, joga capoeira e encanta as cabrochas com seu papo sedutor.
Essa malandragem, no entanto, está cada dia mais rara. Hoje o termo está muito próximo do que conhecemos como vagabundagem, e aquele que se diz, muitas vezes não não passa de mal caráter. Enquanto o malandro de outrora  ganhava a vida na sinuca, no carteado, na purrinha e nos dados, manuseando muito bem uma navalha e lutando (ou jogando capoeira), o sujeito de hoje, que se acha, vive de clonar cartões de crédito, vender drogas, falsificar produtos e praticar atos desonestos.
É claro que muitos vão dizer que os tempos são outros. E é verdade! Aquela malandragem quase nostálgica que marcou época, praticamente não existe mais. Vez ou outra, muito raramente, identifico um , sempre acima dos sessenta anos, que ainda mantém alguma característica verdadeira.
Recentemente quando estive em Salvador tive a oportunidade de encontrar uma figura lendária, bem no "Terreiro de Jesus" que fica na saída do "Pelourinho", que me encantou com seu jeito no pouco tempo em que conversamos.
Tem uma roda de samba que acontece na Lapa, Rio de Janeiro, na calçada do Teatro Dulcina, sem previsão de data (simplesmente acontece), onde posso encontrar alguns deles.
Me chamem de saudosista, sem problemas! O fato é que jamais negarei minha admiração pelo verdadeiro malandro, e sabem o que é melhor, acho até que até herdei alguma coisa do estilo.